?MÃE?

9 Maio a 27 Junho

?MÃE?
AURORA NUNES, ISABEL MENDES FERREIRA, JOÃO ALVES, JOÃO VIOTTI, LETA XAVIA, SOFIA ANDRADE, XAVIER XAVIER

9 maio 2026 – 27 junho 2026 (Qua-Dom, 16:00-20:00)

CURADORIA | João Viotti & Aurora Nunes
CONCERTO DE JOÃO ALVES | 9 Maio às 18:00
VISITA GUIADA COM INTÉRPRETE LGP | 16 Maio às 17:00
ATELIÊ PARA CRIANÇAS | 31 Maio às 10:30
PERFORMANCE DE SOFIA ANDRADE | 27 Junho às 18:00

Desde o início que a Zaratan confia a organização da agenda de exposições aos artistas, encarnando uma perceção anti-hierárquica do mundo da arte — onde artistas, curadores, galeristas, críticos e público são considerados "jogadores" do mesmo jogo. Esta visão abraça a teoria da prática expandida, considerando o artista não apenas como o "criador", mas como um operador cultural socialmente imbricado.

Esta filosofia concretiza-se em propostas que partem diretamente de artistas-comissários, estimulando procedimentos moldados na aceitação da incerteza e integrando na curadoria a experimentação e a descoberta. É neste contexto que surge a exposição ?MÃE?, um projeto de João Viotti e Aurora Nunes que conta com a participação de artistas e das suas respetivas mães como colaboradoras ativas: Aurora Nunes, João Alves, João Viotti, Xavier Xavier, Isabel Mendes Ferreira, Leta Xavia, Sofia Andrade.

A exposição conta ainda com 2 momentos performativos: o primeiro a 9 de Maio, durante a inauguração, consiste numa performance sonora de João Alves; o segundo a 27 de Junho, será uma ativação performativa no encerramento da exposição com Sofia Andrade.


"Mãe, mamã. A palavra primordial. Aquela que tão bem conhecemos e que instintivamente chamamos na aflição. Mas, afinal, o que cabe dentro de uma mãe? A natureza simultaneamente universal e polissémica do termo revela-se no dicionário:

mãe [mãj]

  1. mulher que deu à luz; fêmea que teve crias.

  2. aquela que dispensa cuidados; alma generosa e benfazeja.

  3. fonte, causa, origem; país ou lugar de fundação.

  4. leito de um rio; depósito que permanece no fundo de uma garrafa.

  5. (Gíria) chave ou gazua. Do latim mater, matris.

Farão estas definições justiça ao sentimento e às vidas várias que habitam esta palavra? Nesta exposição, quatro artistas-filhos-da-mãe trazem à ponderação a sua relação com o conceito de 'Mãe', contando com a participação das suas respetivas progenitoras. Trata-se de um diálogo intergeracional que explora a tensão entre a criação biológica e a criação artística, desfazendo os limites entre arte e vida através da crueza e da humanidade da relação.

As obras aqui apresentadas são o fruto de um mergulho no abismo do 'Conceito-Mãe'. O resultado desdobra-se em formatos híbridos que contaminam o espaço da Zaratan: da pintura ao vídeo, da escultura à performance, atravessando a fotografia, a arte sonora e o desenho, sob véus discretos de poesia.

Pensar um tema tão ancestral é, em si mesmo, um processo gestativo. Exige despir o ego polido pela maturidade e regressar à fonte — ao berço e ao breu que antecede a primeira lufada de luz. Nesta 'incubadora' cultural, as obras espelham um subtexto inconclusivo que remonta ao ponto de fuga de todos os significados. ?Mãe?: o lugar de todos os lugares, onde cada filho desenha a sua primeira ideia."
---- João Viotti & Aurora Nunes


BIOGRAFIAS

Curadoria:

JOÃO VIOTTI e AURORA NUNES Apresentando-se como dupla desde 2024, João Viotti e Aurora Nunes assumem o diálogo aberto e o experimentalismo como base da sua prática. Desenvolvem diversos projetos artísticos multidisciplinares de caráter participativo, dos quais o presente projeto é um exemplo central.

Artistas Convidados:
JOÃO VIOTTI
(Lisboa, 1993). Artista e investigador. Licenciado em Escultura e Mestre em Arte Multimédia – Audiovisuais (FBAUL), é atualmente doutorando em Estudos Artísticos – Arte e Mediações. Expõe regularmente desde 2014, com destaque para as exposições Parting with the Bonus of Youth – Maumaus as Object na Galeria das Índias; I will take the risk no Tomáz Hipólito Studio; The Fool’s Guide e On Persuasion no Festival Exquisito; e Everyone’s asking if I’m ok / No one’s asking if I’m ok no The Icing Room (Inglaterra). Como curador, destacam-se o ciclo MOLIO na Zaratan Arte Contemporânea (2018-2019) e o projeto PHLORYSTA (2017–2020), financiado pela DGArtes. Em 2025, estreou a longa-metragem Ouro e Oásis no Sevilla Film Festival (argumento, ideia original e direção artística), com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, GDA e ICA. Foi condecorado pela Junta de Freguesia do Lumiar em 2026 pelo seu contributo à cultura local. Atualmente, gere projetos independentes na Galeria Liminare (Lumiar) e no Espaço KJV (Carnide).


AURORA NUNES (Lisboa, 2002). Especializou-se em Fotografia na Escola Artística António Arroio e é licenciada em Estudos Comparatistas pela FLUL. Desenvolveu um projeto de voluntariado na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa focado em Arteterapia para idosos. Colabora atualmente com o Serviço Educativo do Museu Bordalo Pinheiro. Em parceria com João Viotti, desenvolve projetos de curadoria e arte participativa na Galeria Liminare e no Espaço KJV. Como artista, a sua prática é transdisciplinar, abrangendo do desenho à instalação.

XAVIER XAVIER (Alcochete, 1981). Com formação em Design de Comunicação (Universidade Lusófona), Fotografia e Cultura Visual (IADE) e Arte Terapia (SPAT), é Mestre em Artes Multimédia – Fotografia (FBAUL). Expõe individual e coletivamente desde 2016, cruzando fotografia, performance e instalação. Destacam-se as colaborações com João Viotti nos projetos PHLORYSTA e no Ciclo MOLIO, bem como a participação no Adjuntamento Cultural Olisiponense. Recentemente, em 2025, participou na exposição Phinais Phelizes na Galeria Liminare. Nasceu a gritar num verão quente de agosto. Foi um parto difícil, mas agora diz-se mais calmo.

JOÃO HENRIQUE ALVES (Lisboa, 1993). Licenciado em Escultura pela FBAUL (2015) e formado em Som pela Restart (2017). O seu trabalho divide-se entre o cinema, a música e a escultura. Em 2025, assinou o design de som do filme Ouro e Oásis e integrou projetos musicais como Hércules e Odyssey Os Argonautas. Em 2023, colaborou com o MONOM Studio (Berlim) em espacialização sonora. Recentemente, tem-se dedicado ao projeto Vibroacoustic, explorando o impacto das frequências sonoras no corpo humano. Segue o seu caminho no cosmos com olhar curioso, dançando e criando.

ISABEL MENDES FERREIRA (Montijo, 1954). Escritora, poetisa e pintora. Editou o seu primeiro livro de poesia em 1982: Sobre as Ervas um corpo de Junho. Seguiram-se obras como Um Nocturno de Bach e um Relâmpago no Olhar (Bertrand), Um Corpo (sub) Exposto (Imprensa Nacional) e o livro de contos A Mais Loura de Lisboa (Difel). Após o regresso em 2010 com As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar (Babel), integrou várias antologias. Colaborou em diversas publicações, destacando-se ainda os seus textos para as obras de Dina Aguiar, Joaquim Pessoa e José Rodrigues.

SOFIA ANDRADE (Lisboa, 1975). Frequentou a licenciatura em Design de Comunicação na FBAUL. Paralelamente às artes plásticas, desenvolveu um percurso nas artes performativas, integrando o grupo de teatro Ditirambus e participando em projetos de dança contemporânea no C.E.M. Trabalhou como atriz para a Animateatro, dinamizando a animação cultural em diversos museus de Lisboa. Atualmente, mantém a sua prática na dança e explora variadas abordagens técnicas nas artes plásticas.

LETA XAVIA Aos [ ] dias do mês de [ ] do ano de mil novecentos e [ ], nesta paroquial igreja [ ], concelho de [ ], diocese de Lisboa, batizei o indivíduo do sexo [ ] a quem dei o nome de Leta Xavia e que nasceu na freguesia de [ ], às [ ] horas do dia [ ] do mês de [ ] do ano de [ ], filha de [ ] deste nome, de profissão [ ], natural de [ ].

APOIO | A Zaratan – Arte Contemporânea é uma entidade apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes